segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Além da conjuntura

O Brasil está em condições de restabelecer uma macroeconomia da reindustrialização, a partir do pré-sal


PUBLICADO EM CARTA CAPITAL


por Luiz Gonzaga Belluzzo 

Desde meados dos anos 80 do século XX, a estrutura e a dinâmica da produção e do comércio globais foram transformadas pela concomitância entre os movimentos da grande empresa dos países centrais e as políticas nacionais dos emergentes, particularmente as da China. O Brasil, protagonista das décadas anteriores, ficou fora do jogo, golpeado pela crise da dívida externa dos anos 80, depois paralisado pela política cambial e de abertura sem estratégia na posteridade da estabilização dos anos 90. Entorpecido pelas trapaças ideológicas dos economistas comprometidos com a finança, o País não conseguiu acompanhar a reconfiguração espacial e tecnológica dos núcleos manufatureiros globais.
O leitor de CartaCapital, imagino, está incomodado com minhas insistências. Mas não custa repetir. Desde meados dos anos 70 do século XX as transformações na morfologia da grande empresa transnacional deram origem a uma estruturação dos mercados e às formas contemporâneas de concorrência de escala global.
O movimento da grande empresa promoveu a reconfiguração do ambiente internacional. A metástase do sistema empresarial da tríade desenvolvida – Estados Unidos, Europa e Japão – determinou uma impressionante mutação na organização das cadeias produtivas e nos fluxos de comércio. É crescente a importância do comércio intrafirmas e decisivo o papel do global sourcing, fenômeno acentuado a partir da década de 90.
A nova concorrência engendrou simultaneamente: 1. A centralização do controle, mediante as ondas de fusões e aquisições observadas desde os anos 80. 2. A nova distribuição espacial da produção, ou seja, a internacionalização das cadeias de geração de valor.
Centralização do controle e descentralização da produção: esse movimento de dupla face afetou a natureza e a direção do investimento direto em nova capacidade, reconfigurou a divisão do trabalho entre produtores de peças e componentes e os “montadores” de bens finais. E, como já foi dito, alterou a participação dos países nos fluxos de comércio. O propósito da competição entre os grandes blocos de capital é assegurar simultaneamente a diversificação espacial adequada da base produtiva da grande empresa e o “livre” acesso a mercados.
Depois da crise de 2008 e de suas consequências, os países que perderam posição na disputa competitiva da manufatura, sobretudo os EUA, acenam com uma nova rodada de inovações, aquelas que seriam classificadas de “poupadoras de mão de obra”.
Na primeira década do terceiro milênio, o Brasil valeu-se da dotação de recursos naturais (água, energia, terras agriculturáveis e base mineral) e do dinamismo do agronegócio para assumir uma posição defensiva no comércio mundial. A situação benigna das commodities provocou o descuido com a persistência dos fatores que determinaram o encolhimento e a perda de dinamismo da indústria: câmbio valorizado, tarifas caras dos insumos de uso geral e carga tributária onerosa e kafkiana.
O Brasil está em condições de restabelecer uma macroeconomia da reindustrialização, mediante o uso inteligente de suas vantagens e das promessas que se revelaram recentemente nas áreas de petróleo e gás. Não basta concentrar os esforços na manutenção de um câmbio real competitivo ou esperar a queda dos juros produzir automaticamente a recuperação do investimento industrial.
No Brasil dos anos 50, 60 e 70 havia sinergia – como em qualquer outro país – entre o investimento público, então comandado pelas empresas estatais, e o investimento privado. A crise da dívida externa quebrou as empresas públicas encalacradas no endividamento em moeda estrangeira.
Após a estabilização de 1994, apesar dos avanços na área fiscal, os governos sucessivos se empenharam, mas não conseguiram administrar de forma eficaz os gastos de capital. Seria desejável aprimorar a gestão do gasto público e avançar na constituição de um orçamento de capital para orientar as estratégias de investimento privado.
O volume elevado de investimento público em infraestrutura é importante para a formação da taxa de crescimento. Não só: também é decisivo para a política industrial fundada na formação de “redes de produtividade” entre as construtoras e seus fornecedores: encomendas para os provedores nacionais e critérios de desempenho para as empresas encarregadas de dar resposta à demanda de equipamentos, peças e componentes.

http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-edgard/senta-que-o-leao-e-manso-mansinho-6307.html

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A HORA DOS CRÍTICOS 2: IMPRESSÕES DA ASSEMBLEIA DO SINTEPE

A HORA DOS CRÍTICOS 2: IMPRESSÕES DA ASSEMBLEIA DO SINTEPE




Postei aqui um texto com o título, a hora dos críticos, defendendo que a Assembleia geral era um momento importante para quem critica muito a diretoria do SINTEPE (como eu), e QUE NUNCA TINHA IDO A UMA ASSEMBLEIA. Dessa vez fui. Primeiro fato. A diretoria do SINTEPE MATA SUL, que foi eleita pela chapa 2 (oposição), comunicou a todos os servidores via email, vem fazendo um trabalho combativo e digno de respeito da classe. SABE QUANTAS PESSOAS VIERAM???? SETE. Algumas porque queriam saber especificamente da questão da trava do 207 que seria tratado e não pela assembleia em si. Foram dois carros pequenos, porque seria desperdício uma vã ou similar.

Quando chego ao auditório, vi que estava quase cheio, e que a maioria eram de pessoas mais velhas e até idosas (nada contra), mas , percebi que eram maioria justamente pelo tema que seria tratado, que provocou um grande prejuízo aos aposentados administrativos. Não vi manifestações de contrariedade dignas de nota. Não vi nenhum grupo notadamente exaltado ou disposto a refutar os argumentos da diretoria (como lemos aqui no grupo). E VI, os que já conhecia do Congresso do SINTEPE, o pessoal da ALTERNATIVA SINTEPE, e alguns colegas que estão sempre participando aqui do grupo. Eles eram o rosto da oposição à diretoria, uma oposição politizada, organizada, combativa, mas com pouco eco no plenário.

Mas o perfil do crítico comum, que desdenha partidos e luta sindical, ou mesmo que sabe da importância daquele momento não estavam lá ou não se fizeram evidentes. Outra impressão que tive, foi que com o prolongamento das falas algumas pessoas começam a fazer gestos para que os inscritos parem de falar, JUSTAMENTE, quando estavam avaliando a direção. Alguns exaltados fizeram uso da fala para defender veementemente a direção e suas 'conquistas históricas', e foram EFUSIVAMENTE aplaudidos. Especialmente pelos que estavam felizes com o fim da trava anunciado como um triunfo romano.
Nesse período de debates começou o esvaziamento do plenário e um companheiro me disse, "esse pessoal geralmente é quem mora aqui, quando passa de meio dia esvazia, acaba ficando quem é do interior que não tem como ir embora por causa do transporte". Fiz a minha fala logo após o companheiro Edvaldo Lima, no tom crítico mas proposito, assim como ele, em detrimento dos gestos impacientes. Parabenizei o sindicato pelo fim da trava  que tanto prejudicava os aposentados pós-2011, mas, pedi que fosse retirada outra trava, A TRAVA POLÍTICA do movimento sindical. Essa trava que se dá pelas evidentes relações partidárias que os dirigentes mantêm com partidos da base de Eduardo (PT, PCdoB e PSB), e por isso, exitam em tecer críticas com a contundência necessária ao movimento. Propus que o dinheiro que é gasto na nota nos jornalões (subservientes ao governo), fosse investido em panfletos e divulgação de uma campanha nacional de divulgação das arbitrariedades de Eduardo, e se chamaria CUIDADO COM ELE!. Para minha surpresa, a proposta foi ponto pacífico. Vi então que não se trata apenas de propostas, ou de presença, e sim de força política da base. Somos inofensivos diante da complacência política da diretoria com o governo.

Durante as falas, as questões mais críticas me pareciam inofensivas, algumas pela forma com que foram expostas, mas a maioria, por falta de respaldo da categoria. MAS, NINGUÉM PODE DIZER QUE NÃO HÁ RESISTÊNCIA INTERNA!!!! HÁ SIM, e é combativa. O que não há, é uma adesão à necessidade de retomar o sintepe por parte da categoria. Pode alguém dizer " não fui porque não acredito na luta sindical, esse modelo de luta está falido". Então que se crie outro, que lute paralelamente...mas não tenho dúvidas que chororô de corredor e críticas, piadas e apelidos novos para dudu não fazem nada.

Portanto, saí da assembleia com duas convicções... a primeira é que sem dúvida há quem lute, há resistência, mas ela não tem "musculatura" para sequer desestabilizar o semblante do dirigente com uma possível derrota na pauta; e a segunda, a mais triste, minha impressão é que essa diretoria é justamente é o reflexo do que nossa classe faz por merecer.

Nossa classe quer um tipo de super herói dos quadrinhos, que resolve a parada enquanto nós não nos "sujamos" com essa coisa de política; enquanto nós não nos "queimamos" com o diretor, enquanto nós não precisamos consertar o nosso telhado de vidro antes de atirar a pedra.

COMO DIZ O DITADO... NÃO CUSTA LUTAR, MAS A LUTA CUSTA. Quem já conquistou algo sem risco? sem esforço dispendido? Eduardo nos atropela e nossa luta parece terapia em grupo no divã do Facebook?  Posso admitir que muitos críticos daqui do grupo não tenham ido por "DISCORDAREM" da luta sindical, MAS QUE ARGUMENTOS TEM PARA SE NEGAR EM CONTRIBUIR COM DEBATE DO GRUPO LÁ NA UFPE ??? Tomara que apareçam. Pois, A HORA DOS CRÍTICOS, DEVE SER TODA HORA EM QUE FOR POSSÍVEL COLABORAR COM A LUTA DA CATEGORIA...seja pela via sindical (que eu acho insubstituível) seja pela via dos movimentos, das redes sociais, da luta na comunidade, na sala de aula, que eu considero imprescindíveis.

É bom que façamos uma auto-crítica, lembrando o velho ditado que cada um tem o governo que merece. será que a achincalhada diretoria não é um produto da nossa ausência, da nossa passividade, ou da crítica inócua, ingênua, fatalista e improdutiva? repensar o movimento implica necessariamente que NOS repensemos NO movimento. Eu decidi sair da zona de conforto. Estive na Assembleia e estarei no encontro do PROFESSOR PE, quero ter pelo menos a consciência tranquila que critico, mas estou na luta para que haja mudanças. Para nossa mudança de atitude, resta-nos refletir sobre a consequência do silêncio a partir do poema de Maiakovski.

 POEMA DE MAIAKOVSKI
Primeiro, eles vêm à noite, com passo furtivo
arrancam uma flor
e não dizemos nada.
No dia seguinte, já não tomam precauções:
entram no nosso jardim,
pisam nossas flores,
matam nosso cão
e não dizemos nada.
Até que um dia o mais débil dentre eles
entra sozinho em nossa casa,
rouba nossa luz,
arranca a voz de nossa garganta
e já não podemos dizer nada.

Portanto.....
“ DEVEMOS SER A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO” Gandhi

Ítalo Agra
Pedagogo
Professor e Técnico educacional

Gameleira-PE, 09/08/2013

sábado, 30 de março de 2013

DE VOLTA À BLOGOSFERA

Queridos leitores/as e visitantes do Palavra Acesa, comunico formalmente que sobrevivi ao mestrado e que estarei retomando aos poucos a minha atividade catártica virtual como blogueiro. Vou até mudar a foto do perfil porque aquele sujeito da foto, de maneira geral, não existe mais. Eu sei, alguém deve pensar, tirou a barba, está mais gordinho, com menos juízo, está sumido... enfim, as razões não são externas, nem estéticas. 

Muito mudou em mim e o blog agora refletirá esse novo tempo que não sei bem o que será, apenas estou vivendo, com bem menos tempo para vida virtual, mas nos interstícios da rotina encontrarei brechas para pensar alto, "pensar postando". Disse Clarice Linspector "escrevo para viver", longe de qualquer comparação, até porque escrita e docência na educação básica são inconciliáveis ,por razões de sobrevivência, posso dizer que me sinto mais vivo quando escrevo.

O que tinha de bom no antigo dono do blog, que está na foto a ser trocada, ainda permanece, no entanto é a abordagem sobre a vida e o peso dado a determinados fenômenos que será diferente. Meu primeiro blog era incendiário, imediatista, pois apesar de desconfiar de mudanças de curto prazo, achava ser possível balançar consciências adormecidas. Alguma coisa balançou na cotidianidade politiqueira, a pauta em rodas de fuxico, mas o objetivo, o salto qualitativo não se deu. Descobri que não é bem assim que as coisas mudam, estou mais dialético do que antes.

Por isso que mudei do Acordes (antigo blog) para o Palavra Acesa, pelos motivos justificados no primeiro post (leia:musica que inspirou o blog). Mudei para dizer de outra forma, para demonstrar de outra forma o mesmo objetivo, a mesma indignação que me move, mas com a calma e a prudência que não tinha antes. Hoje posso dizer que aprendi a bater onde dói, vejo melhor as causas de minha indignação e não me proponho a travar uma "luta inútil contra os galhos" como disse Raul Seixas.

Enfim, estarei voltando para escrever não sei bem o quê, mas estou voltando. Nem tão político, quem sabe mais poético (se é que a poesia não se aposentou em mim), mais crítico, mais maduro. Hoje, me sinto mais vivo (apesar de doente), estou de volta à trincheira do chão da escola, mas com a lupa da teoria que me ajuda a ver melhor, tanto a prática quanto à própria teoria. Um tema será recorrente, o meu reaprendizado da docência. Talvez escreva menos, mas serei mais autoral, percebi que falta gente para dizer o óbvio e muita gente que está na estratosfera da ciência não tem a noção do que é o chão da escola. Então vou dizendo e me repensando, me refazendo como docente. E se vocês tiverem paciência, vos convido a ler, a visitar e comentar as postagens.                                                                

Por hora só tenho a dizer que sobrevivi ao mestrado, que ser mestre não é nada demais, que o título só muda o caráter de quem já não tinha antes, e que a academia é uma bela ... enfim, depois comento minha aventura no templo da ciência.

Até a próxima

Ítalo Agra
Professor (na ativa, com muito orgulho)
Artista plástico (readaptado)
Poeta  (de licença sem vencimentos)
Blogueiro (quando dá tempo)










sexta-feira, 23 de março de 2012


A culpa é do professor - 


 
Nessa escola da vidaEu lhe digo com fervorTodo mundo é importanteSó não é o professor.
Se o aluno não aprendeA lição não decorouVocê pode ter certezaA culpa é do professor.
Se a cortina caiuE o filtro se quebrouNão é culpa do alunoA culpa é do professor.
Na escola havendo brigaE alguém se acidentouNão precisa de políciaA culpa é do professor. 
Havendo qualquer problemaE a confusão aumentouNão precisa testemunhaA culpa é do professor. 
Na escola tendo rádio,DVD, televisorTodo mundo pode usarSó não pode o professor. 
Na sala de telefonePra dizer alô, alô,Ali fala todo mundoSó não fala o professor. 
Nesta escola modernaTem até computadorTodo mundo mexe neleSó não mexe o professor. 
Na escola que tem quadraE tendo bom jogadorMas se o time perderA culpa é do professor. 
Se o aluno é reprovadoPois ele não estudouTodo mundo logo dizA culpa é do professor. 
A caderneta tá prontaMas um número ele borrouNão precisa ir muito longeÉ culpa do professor. 
Quando pedem transferênciaE alguém não entregouA nota não foi entregueÉ culpa do professor. 
Se ele recebe ordemPra não ir ao mijadorSe o aluno urinar na classeÉ culpa do professor.
Na hora do pagamentoEu lhe digo meu senhorPrimeiro vai todo mundoO último é o professor. 
No dia da formaturaFesta de muito valorSabe quem é o garçomO pobre do professor. 
Quem faz o 3º grauÉ chamado de doutorMas o único que não é É o pobre do professor.
Quando tem reuniãoAí é que é horrorÉ todo funcionárioSó malhando o professor. 
Até na sala de aulaPro seu filho é um pavorQualquer coisa a culpa éDo filho do professor. 
E até mesmo o ladrãoQue rouba até zeladorNão vive perdendo tempoPra roubar um professor. 
Se for dez é diretorO oito vai pra o gestorSe for abaixo de cincoÉ nota do professor. 
Se a escola tá limpaParabéns pra o zeladorSe o aluno não aprendeÉ culpa do professor. 
Se a escola foi sucessoÉ mérito do diretorSe o aluno não aprendeÉ culpa do professor. 
Nesse mundo que vivemosQue é um mundo de dorTodo mundo adoeceSó não pode o professor. 
Chega atrasado o vigia,Cozinheiro, diretor,Pode atrasar todo mundoSó não pode o professor.

Em todo escola pública
Todo mundo já faltouMas só aparece faltaNo ponto do professor. 
Nesses anos de ensinoJá vi festa de louvorSó não vi dar parabénsAo pobre do professor.  
Todo mundo tem salárioQualquer um trabalhadorIndependente de sexoSó não tem o professor. 
Até mesmo na merendaTambém é um sofredorTodos vão lá à cozinhaSó não vai o professor. 
Quando tem festa na escolaEu lhe digo meu senhorPrimeiro quem sabe é o povoSó depois o professor. 
Eu já vi igreja sem pastorJá vi piscina sem águaJá vi o céu sem estrelaJá vi altar sem ter santo
Já vi casa sem janelaJá vi mão sem cinco dedosGato sem ser angoráGaiola sem passarinho
Já vi camisa sem mangaJá vi homem sem bilôla Já vi cantor sem ter vozJá vi cigarro sem filtro
Eu já vi Adão sem EvaJá vi Abel sem CaimJá vi abelha sem melJá vi mulher sem marido
Já vi estação sem tremJá vi vassoura sem caboJá vi inverno sem chuvaVi doutor sem ter anel
Vi cabeça sem chapéuVi casa sem moradorVi carro sem ter motorJá vi cão sem ser pastor
Vi hospital sem doutorJá vi doente sem dorEscola sem diretorPecado sem pecador
Mas duvido você ver Escola funcionarSem aluno e professor. 
Eu não sou nenhum poeta
E nem ando pelos aresSou professor de Jaqueira
Meu nome é Paulo Tavares.
 

Paulo Tavares
Professor da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O PROBLEMA ESTRUTURAL DA EDUCAÇÃO


Esse vídeo expressa um problema estrutural que condiciona e muito a melhoria da qualidade de educação pública. Nós que estamos nas escolas sabemos muito bem disso. Nós que temos que ter dois empregos(alguns três) para ganhar próximo ao valor de um salário de vergonha para o professor sabemos muito bem o quanto essa situação limita as nossa possibilidades e melhorar o rendimento do nosso trabalho.
Devemos expor sempre essa realidade diante de argumentos cínicos dos que defendem o privatismo na educação, que trata o problema da educação como uma questão de gestão, antes era problema da formação, ou a falta da participação da família, em outros tempos era a capacidade inferior das classes populares... ou seja, sempre se tem um argumento SEM VERGONHA para não admitir o óbvio ou mesmo para não admitir sinceramente que a negação de uma educação de qualidade para a grande parcela da população tem sido uma "POLÍTICA DE ESTADO". A negação da educação ,a promoção da ignorância em larga escala  é a grande política educacional que acompanha a escola brasileira desde o seu surgimento, nisso todos os governos até então tem colaborado uns mais outros menos. Apesar de termos vivido um momento mais favorável, os investimentos ainda são incipientes diante dos desafios. Sempre que se tem propostas para melhorar a educação vemos como o lado CAFAJESTE  de nossa classe política se compromete em diminuir os investimentos, protelar as decisões e postergar a aplicação das leis (como a do Piso) enquanto  SE DÃO aumentos da ordem de 60% nos próprios salários.
AFIRMO SEMPRE , QUE ENQUANTO OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO SILENCIAREM DIANTE DESSAS QUESTÕES NÃO SEREMOS RESPEITADOS , ENQUANTO NÃO FOMOS TEMIDOS COMO UMA CATEGORIA QUE TIRA VOTOS E DERRUBA A POPULARIDADE DOS GOVERNOS , NÃO SEREMOS RESPEITADOS E O CAFAJESTISMO COM QUE TEMOS SIDO TRATADOS SERÁ TÃO CORRENTE COMO É AGORA.