segunda-feira, 12 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A HORA DOS CRÍTICOS 2: IMPRESSÕES DA ASSEMBLEIA DO SINTEPE

A HORA DOS CRÍTICOS 2: IMPRESSÕES DA ASSEMBLEIA DO SINTEPE




Postei aqui um texto com o título, a hora dos críticos, defendendo que a Assembleia geral era um momento importante para quem critica muito a diretoria do SINTEPE (como eu), e QUE NUNCA TINHA IDO A UMA ASSEMBLEIA. Dessa vez fui. Primeiro fato. A diretoria do SINTEPE MATA SUL, que foi eleita pela chapa 2 (oposição), comunicou a todos os servidores via email, vem fazendo um trabalho combativo e digno de respeito da classe. SABE QUANTAS PESSOAS VIERAM???? SETE. Algumas porque queriam saber especificamente da questão da trava do 207 que seria tratado e não pela assembleia em si. Foram dois carros pequenos, porque seria desperdício uma vã ou similar.

Quando chego ao auditório, vi que estava quase cheio, e que a maioria eram de pessoas mais velhas e até idosas (nada contra), mas , percebi que eram maioria justamente pelo tema que seria tratado, que provocou um grande prejuízo aos aposentados administrativos. Não vi manifestações de contrariedade dignas de nota. Não vi nenhum grupo notadamente exaltado ou disposto a refutar os argumentos da diretoria (como lemos aqui no grupo). E VI, os que já conhecia do Congresso do SINTEPE, o pessoal da ALTERNATIVA SINTEPE, e alguns colegas que estão sempre participando aqui do grupo. Eles eram o rosto da oposição à diretoria, uma oposição politizada, organizada, combativa, mas com pouco eco no plenário.

Mas o perfil do crítico comum, que desdenha partidos e luta sindical, ou mesmo que sabe da importância daquele momento não estavam lá ou não se fizeram evidentes. Outra impressão que tive, foi que com o prolongamento das falas algumas pessoas começam a fazer gestos para que os inscritos parem de falar, JUSTAMENTE, quando estavam avaliando a direção. Alguns exaltados fizeram uso da fala para defender veementemente a direção e suas 'conquistas históricas', e foram EFUSIVAMENTE aplaudidos. Especialmente pelos que estavam felizes com o fim da trava anunciado como um triunfo romano.
Nesse período de debates começou o esvaziamento do plenário e um companheiro me disse, "esse pessoal geralmente é quem mora aqui, quando passa de meio dia esvazia, acaba ficando quem é do interior que não tem como ir embora por causa do transporte". Fiz a minha fala logo após o companheiro Edvaldo Lima, no tom crítico mas proposito, assim como ele, em detrimento dos gestos impacientes. Parabenizei o sindicato pelo fim da trava  que tanto prejudicava os aposentados pós-2011, mas, pedi que fosse retirada outra trava, A TRAVA POLÍTICA do movimento sindical. Essa trava que se dá pelas evidentes relações partidárias que os dirigentes mantêm com partidos da base de Eduardo (PT, PCdoB e PSB), e por isso, exitam em tecer críticas com a contundência necessária ao movimento. Propus que o dinheiro que é gasto na nota nos jornalões (subservientes ao governo), fosse investido em panfletos e divulgação de uma campanha nacional de divulgação das arbitrariedades de Eduardo, e se chamaria CUIDADO COM ELE!. Para minha surpresa, a proposta foi ponto pacífico. Vi então que não se trata apenas de propostas, ou de presença, e sim de força política da base. Somos inofensivos diante da complacência política da diretoria com o governo.

Durante as falas, as questões mais críticas me pareciam inofensivas, algumas pela forma com que foram expostas, mas a maioria, por falta de respaldo da categoria. MAS, NINGUÉM PODE DIZER QUE NÃO HÁ RESISTÊNCIA INTERNA!!!! HÁ SIM, e é combativa. O que não há, é uma adesão à necessidade de retomar o sintepe por parte da categoria. Pode alguém dizer " não fui porque não acredito na luta sindical, esse modelo de luta está falido". Então que se crie outro, que lute paralelamente...mas não tenho dúvidas que chororô de corredor e críticas, piadas e apelidos novos para dudu não fazem nada.

Portanto, saí da assembleia com duas convicções... a primeira é que sem dúvida há quem lute, há resistência, mas ela não tem "musculatura" para sequer desestabilizar o semblante do dirigente com uma possível derrota na pauta; e a segunda, a mais triste, minha impressão é que essa diretoria é justamente é o reflexo do que nossa classe faz por merecer.

Nossa classe quer um tipo de super herói dos quadrinhos, que resolve a parada enquanto nós não nos "sujamos" com essa coisa de política; enquanto nós não nos "queimamos" com o diretor, enquanto nós não precisamos consertar o nosso telhado de vidro antes de atirar a pedra.

COMO DIZ O DITADO... NÃO CUSTA LUTAR, MAS A LUTA CUSTA. Quem já conquistou algo sem risco? sem esforço dispendido? Eduardo nos atropela e nossa luta parece terapia em grupo no divã do Facebook?  Posso admitir que muitos críticos daqui do grupo não tenham ido por "DISCORDAREM" da luta sindical, MAS QUE ARGUMENTOS TEM PARA SE NEGAR EM CONTRIBUIR COM DEBATE DO GRUPO LÁ NA UFPE ??? Tomara que apareçam. Pois, A HORA DOS CRÍTICOS, DEVE SER TODA HORA EM QUE FOR POSSÍVEL COLABORAR COM A LUTA DA CATEGORIA...seja pela via sindical (que eu acho insubstituível) seja pela via dos movimentos, das redes sociais, da luta na comunidade, na sala de aula, que eu considero imprescindíveis.

É bom que façamos uma auto-crítica, lembrando o velho ditado que cada um tem o governo que merece. será que a achincalhada diretoria não é um produto da nossa ausência, da nossa passividade, ou da crítica inócua, ingênua, fatalista e improdutiva? repensar o movimento implica necessariamente que NOS repensemos NO movimento. Eu decidi sair da zona de conforto. Estive na Assembleia e estarei no encontro do PROFESSOR PE, quero ter pelo menos a consciência tranquila que critico, mas estou na luta para que haja mudanças. Para nossa mudança de atitude, resta-nos refletir sobre a consequência do silêncio a partir do poema de Maiakovski.

 POEMA DE MAIAKOVSKI
Primeiro, eles vêm à noite, com passo furtivo
arrancam uma flor
e não dizemos nada.
No dia seguinte, já não tomam precauções:
entram no nosso jardim,
pisam nossas flores,
matam nosso cão
e não dizemos nada.
Até que um dia o mais débil dentre eles
entra sozinho em nossa casa,
rouba nossa luz,
arranca a voz de nossa garganta
e já não podemos dizer nada.

Portanto.....
“ DEVEMOS SER A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO” Gandhi

Ítalo Agra
Pedagogo
Professor e Técnico educacional

Gameleira-PE, 09/08/2013

sábado, 30 de março de 2013

DE VOLTA À BLOGOSFERA

Queridos leitores/as e visitantes do Palavra Acesa, comunico formalmente que sobrevivi ao mestrado e que estarei retomando aos poucos a minha atividade catártica virtual como blogueiro. Vou até mudar a foto do perfil porque aquele sujeito da foto, de maneira geral, não existe mais. Eu sei, alguém deve pensar, tirou a barba, está mais gordinho, com menos juízo, está sumido... enfim, as razões não são externas, nem estéticas. 

Muito mudou em mim e o blog agora refletirá esse novo tempo que não sei bem o que será, apenas estou vivendo, com bem menos tempo para vida virtual, mas nos interstícios da rotina encontrarei brechas para pensar alto, "pensar postando". Disse Clarice Linspector "escrevo para viver", longe de qualquer comparação, até porque escrita e docência na educação básica são inconciliáveis ,por razões de sobrevivência, posso dizer que me sinto mais vivo quando escrevo.

O que tinha de bom no antigo dono do blog, que está na foto a ser trocada, ainda permanece, no entanto é a abordagem sobre a vida e o peso dado a determinados fenômenos que será diferente. Meu primeiro blog era incendiário, imediatista, pois apesar de desconfiar de mudanças de curto prazo, achava ser possível balançar consciências adormecidas. Alguma coisa balançou na cotidianidade politiqueira, a pauta em rodas de fuxico, mas o objetivo, o salto qualitativo não se deu. Descobri que não é bem assim que as coisas mudam, estou mais dialético do que antes.

Por isso que mudei do Acordes (antigo blog) para o Palavra Acesa, pelos motivos justificados no primeiro post (leia:musica que inspirou o blog). Mudei para dizer de outra forma, para demonstrar de outra forma o mesmo objetivo, a mesma indignação que me move, mas com a calma e a prudência que não tinha antes. Hoje posso dizer que aprendi a bater onde dói, vejo melhor as causas de minha indignação e não me proponho a travar uma "luta inútil contra os galhos" como disse Raul Seixas.

Enfim, estarei voltando para escrever não sei bem o quê, mas estou voltando. Nem tão político, quem sabe mais poético (se é que a poesia não se aposentou em mim), mais crítico, mais maduro. Hoje, me sinto mais vivo (apesar de doente), estou de volta à trincheira do chão da escola, mas com a lupa da teoria que me ajuda a ver melhor, tanto a prática quanto à própria teoria. Um tema será recorrente, o meu reaprendizado da docência. Talvez escreva menos, mas serei mais autoral, percebi que falta gente para dizer o óbvio e muita gente que está na estratosfera da ciência não tem a noção do que é o chão da escola. Então vou dizendo e me repensando, me refazendo como docente. E se vocês tiverem paciência, vos convido a ler, a visitar e comentar as postagens.                                                                

Por hora só tenho a dizer que sobrevivi ao mestrado, que ser mestre não é nada demais, que o título só muda o caráter de quem já não tinha antes, e que a academia é uma bela ... enfim, depois comento minha aventura no templo da ciência.

Até a próxima

Ítalo Agra
Professor (na ativa, com muito orgulho)
Artista plástico (readaptado)
Poeta  (de licença sem vencimentos)
Blogueiro (quando dá tempo)










sexta-feira, 23 de março de 2012


A culpa é do professor - 


 
Nessa escola da vidaEu lhe digo com fervorTodo mundo é importanteSó não é o professor.
Se o aluno não aprendeA lição não decorouVocê pode ter certezaA culpa é do professor.
Se a cortina caiuE o filtro se quebrouNão é culpa do alunoA culpa é do professor.
Na escola havendo brigaE alguém se acidentouNão precisa de políciaA culpa é do professor. 
Havendo qualquer problemaE a confusão aumentouNão precisa testemunhaA culpa é do professor. 
Na escola tendo rádio,DVD, televisorTodo mundo pode usarSó não pode o professor. 
Na sala de telefonePra dizer alô, alô,Ali fala todo mundoSó não fala o professor. 
Nesta escola modernaTem até computadorTodo mundo mexe neleSó não mexe o professor. 
Na escola que tem quadraE tendo bom jogadorMas se o time perderA culpa é do professor. 
Se o aluno é reprovadoPois ele não estudouTodo mundo logo dizA culpa é do professor. 
A caderneta tá prontaMas um número ele borrouNão precisa ir muito longeÉ culpa do professor. 
Quando pedem transferênciaE alguém não entregouA nota não foi entregueÉ culpa do professor. 
Se ele recebe ordemPra não ir ao mijadorSe o aluno urinar na classeÉ culpa do professor.
Na hora do pagamentoEu lhe digo meu senhorPrimeiro vai todo mundoO último é o professor. 
No dia da formaturaFesta de muito valorSabe quem é o garçomO pobre do professor. 
Quem faz o 3º grauÉ chamado de doutorMas o único que não é É o pobre do professor.
Quando tem reuniãoAí é que é horrorÉ todo funcionárioSó malhando o professor. 
Até na sala de aulaPro seu filho é um pavorQualquer coisa a culpa éDo filho do professor. 
E até mesmo o ladrãoQue rouba até zeladorNão vive perdendo tempoPra roubar um professor. 
Se for dez é diretorO oito vai pra o gestorSe for abaixo de cincoÉ nota do professor. 
Se a escola tá limpaParabéns pra o zeladorSe o aluno não aprendeÉ culpa do professor. 
Se a escola foi sucessoÉ mérito do diretorSe o aluno não aprendeÉ culpa do professor. 
Nesse mundo que vivemosQue é um mundo de dorTodo mundo adoeceSó não pode o professor. 
Chega atrasado o vigia,Cozinheiro, diretor,Pode atrasar todo mundoSó não pode o professor.

Em todo escola pública
Todo mundo já faltouMas só aparece faltaNo ponto do professor. 
Nesses anos de ensinoJá vi festa de louvorSó não vi dar parabénsAo pobre do professor.  
Todo mundo tem salárioQualquer um trabalhadorIndependente de sexoSó não tem o professor. 
Até mesmo na merendaTambém é um sofredorTodos vão lá à cozinhaSó não vai o professor. 
Quando tem festa na escolaEu lhe digo meu senhorPrimeiro quem sabe é o povoSó depois o professor. 
Eu já vi igreja sem pastorJá vi piscina sem águaJá vi o céu sem estrelaJá vi altar sem ter santo
Já vi casa sem janelaJá vi mão sem cinco dedosGato sem ser angoráGaiola sem passarinho
Já vi camisa sem mangaJá vi homem sem bilôla Já vi cantor sem ter vozJá vi cigarro sem filtro
Eu já vi Adão sem EvaJá vi Abel sem CaimJá vi abelha sem melJá vi mulher sem marido
Já vi estação sem tremJá vi vassoura sem caboJá vi inverno sem chuvaVi doutor sem ter anel
Vi cabeça sem chapéuVi casa sem moradorVi carro sem ter motorJá vi cão sem ser pastor
Vi hospital sem doutorJá vi doente sem dorEscola sem diretorPecado sem pecador
Mas duvido você ver Escola funcionarSem aluno e professor. 
Eu não sou nenhum poeta
E nem ando pelos aresSou professor de Jaqueira
Meu nome é Paulo Tavares.
 

Paulo Tavares
Professor da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O PROBLEMA ESTRUTURAL DA EDUCAÇÃO


Esse vídeo expressa um problema estrutural que condiciona e muito a melhoria da qualidade de educação pública. Nós que estamos nas escolas sabemos muito bem disso. Nós que temos que ter dois empregos(alguns três) para ganhar próximo ao valor de um salário de vergonha para o professor sabemos muito bem o quanto essa situação limita as nossa possibilidades e melhorar o rendimento do nosso trabalho.
Devemos expor sempre essa realidade diante de argumentos cínicos dos que defendem o privatismo na educação, que trata o problema da educação como uma questão de gestão, antes era problema da formação, ou a falta da participação da família, em outros tempos era a capacidade inferior das classes populares... ou seja, sempre se tem um argumento SEM VERGONHA para não admitir o óbvio ou mesmo para não admitir sinceramente que a negação de uma educação de qualidade para a grande parcela da população tem sido uma "POLÍTICA DE ESTADO". A negação da educação ,a promoção da ignorância em larga escala  é a grande política educacional que acompanha a escola brasileira desde o seu surgimento, nisso todos os governos até então tem colaborado uns mais outros menos. Apesar de termos vivido um momento mais favorável, os investimentos ainda são incipientes diante dos desafios. Sempre que se tem propostas para melhorar a educação vemos como o lado CAFAJESTE  de nossa classe política se compromete em diminuir os investimentos, protelar as decisões e postergar a aplicação das leis (como a do Piso) enquanto  SE DÃO aumentos da ordem de 60% nos próprios salários.
AFIRMO SEMPRE , QUE ENQUANTO OS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO SILENCIAREM DIANTE DESSAS QUESTÕES NÃO SEREMOS RESPEITADOS , ENQUANTO NÃO FOMOS TEMIDOS COMO UMA CATEGORIA QUE TIRA VOTOS E DERRUBA A POPULARIDADE DOS GOVERNOS , NÃO SEREMOS RESPEITADOS E O CAFAJESTISMO COM QUE TEMOS SIDO TRATADOS SERÁ TÃO CORRENTE COMO É AGORA.

domingo, 30 de outubro de 2011

AULA DE MATEMÁTICA



Hoje vou brincar de professor de matemática. Vou passar alguns problemas para vocês resolverem. 


Problema nº1 

Um professor trabalha 5 horas diárias, 5 salas com 40 alunos cada. Quantos alunos ele atenderá por dia? 

Resposta: 200 alunos dia. 

Se considerarmos 22 dias úteis. Quantos alunos ele atenderá por Mês? 

Resposta: 4.400 alunos por mês. 
Consideremos que nenhum aluno faltou (hahaha) e, que em cada um deles, resolveu pagar ao professor com o dinheiro da pipoca do lanche: 0,80 centavos, diárias. Quanto é a fatura do professor por dia? 

R: 160,00 reais diários 

Se considerarmos 22 dias úteis. Quanto é faturamento mensal do mesmo professor? 

R: Final do mês ele terá a faturado R$ 3.520,00. 


Problema nº2 

O piso salarial é 1.187 reais, para o professor atender 4.400 alunos mensais. Quanto o professor fatura por cada atendimento? 

Resposta: aproximadamente 0,27 mensais 

(vixe, valemos menos que o pacote de pipoca)... continuando os exercícios... 

Problema nº3 

Um professor de padrão de vida simples,solteiro e numa cidade do interior, em atividade, tem as seguintes despesas mensais fixas e variáveis : 

Sindicato: R$12,00reais 

Aluguel: R$350,00reais ( pra não viver confortável) 

Agua/energia elétrica: R$100,00 reais (usando o mínimo) 

Acesso à internet: R$60,00 reais 

Telefone: R$30,00 reais (com restrições de ligações) 

Instituto de previdência: R$150,00 reais 

Cesta básica: R$500,00 reais 

Transporte: sem dinheiro 

Roupas: promocionais 

Quanto um professor gasta em um mês? 

Total das despesas: R$1202,00 

Qual o saldo mensal de um professor? 

Saldo mensal: R$1187,00 - 1202= -15 reais, passando necessidades 

E no caso deste professor ter mulher e filhos?

Agora eu te pergunto: 
- Que dinheiro o professor terá para seu fim de semana? 
- Quanto o professor poderá gastar com estudos, livros, revistas, etc. 
- Quanto vale o trabalho de um professor?? 
- Isso é bom para o aluno??? 
- Isso é bom para a educação pública do Brasil?? 

Agora olhem a pérola que o Sr. Governador do Ceará disse: 

" Quem quiser dar aula faça isso por gosto, e não pelo salário. 
Se quiser ganhar melhor, peça demissão e vá para o ensino privado " 

Cid Gomes - Governador(_) do Ceará 

SE VOCÊ ACHA QUE NOSSO GOVERNADOR DEVE ABRIR MÃO DE SEU SALÁRIO E GOVERNAR POR AMOR, PASSE PARA A FRENTE!. 

CAMPANHA 
"Cid, doe seu SALÁRIO e governe por AMOR !" 

Vamos espalhar isso aos 4 ventos e aumentar a campanha: 

DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS, MINISTROS, DOEM SEUS SALÁRIOS E TRABALHEM POR AMOR! 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CARTA AO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DE PERNAMBUCO


CAROS COLEGAS DA EDUCAÇÃO

Segue a carta que enviei ao Secretário de Educação de Pernambuco, Dr. Anderson Gomes, com reflexões sobre a problemática do cotidiano escolar que raramente são tratados ou considerados ante a fobia por resultados. 

Já que o Sindicato  tem se comprometido muito mais com as legendas partidárias do que com os trabalhadores da educação a categoria está sem porta voz, creio que cada um em seu local de trabalho, em sua função precisa pautar as discussões diante da política educacional vigente, que faz parecer que cabe somente a escola a elevação da qualidade da educação. Porém, insiste em práticas e direcionamentos equivocados pedagogicamente pois são pautados pelos bancos e pelas instituições privadas que lucram criando "receitas" de gestão para a educação.

Sou um dos que defendem a responsabilização, mas não a que deposita sobre a escola a culpa e a obrigação de dar conta de SÉCULOS DE OMISSÃO. A classe dirigente brasileira tem um mérito fantástico, por ser a única no mundo, com o potencial econômico que temos que conseguiu PRODUZIR LUCRO E BURRICE em larga escala ao mesmo tempo.(Ler sobre o Óbvio - Darcy Ribeiro).

É natural que se tenha pressa para tirar Pernambuco da situação vexatória em que se encontrava em 2005, mas que não é tão diferente atualmente. Faço questão de me posicionar como PROFESSOR e Técnico (PEDAGOGO) que a educação de Pernambuco está fazendo uma grande reforma Administrativa, mas, ainda está engatinhando na Pedagogia (que é a atividade FIM da escola). Creio que os profissionais da educação ainda não foram reconhecidos como FUNDAMENTAIS para o processo de crescimento. Digo até mais, Pernambuco, estagnará em seus números que QUISER insistir nessa fórmula arrogante e tecnocrática sobre os profissionais que LITERALMENTE FAZEM a escola.

Já que o Estado tem um programa com o nome do GRANDE EDUCADOR Paulo Freire, que infelizmente é ignorado na política educacional do estado hoje. Sugiro a S.E que antes de evocarem Freire, quando convém , VEJAM O QUE ELE DIZIA SOBRE O QUE FAZEM...

Não podemos falar das metas educativas sem nos referirmos às condições materiais das escolas. E que elas não são apenas ‘espírito’, mas ‘corpo’ também. A prática educativa cuja política nos cabe traçar, democraticamente, se dá na concretude da escola, por sua vez situada e datada e não na cabeça das pessoas.[...] em última análise, precisamos demonstrar que respeitamos as crianças, suas professoras, sua escola, seus pais, sua comunidade, que respeitamos a coisa pública, tratando-a com decência. Só assim podemos cobrar de todos o respeito também às carteiras escolares, às paredes da escola, às suas portas. Só assim podemos falar de princípios e valores.[...]  Precisamos deixar claro que acreditamos em quem e respeitamos quem se acha nas bases.[...] Mudar a cara da escola implica também ouvir meninos e meninas, sociedades de bairro, pais, mães, diretoras de escolas, delegados de ensino, professoras, supervisoras, comunidade científica, zeladores, merendeiras etc. Não se muda a cara da escola por um ato de vontade do secretário. (FREIRE, 2005, 34-35)

Pois bem,  seguem as reflexões para que compartilhem entre os colegas, comentem se concordarem ou não. Outras reflexões vocês encontrarão no meu blog







Saudações gameleirenses....
  
Prof. Ítalo Agra
Pedagogo (FAESC)
Mestrando em Educação (UFPB)
Professor e Técnico Educacional da
Rede Estadual de Pernambuc o
 
http://lattes.cnpq.br/7937390653515896

http://palavra-acesa-italoagra.blogspot.com/

http://twitter.com/#!/italoagra

 








Ao Ilmo Secretário de Educação.
Prof. Phd. Anderson Gomes

 Hoje(10/10) a GRE Mata Sul, promoveu o encontro para repassar e nos ensinar a analisar os dados do SAEPE. Faço questão de parabenizá-lo, pois , pelo que nos informaram, foi decisão sua a de produzir os materiais para serem impressos em quantidade satisfatória e não só entregues, e sim analisados com os professores, técnicos e educadores de apoio.

O encontro está sendo muito proveitoso (amanhã 11 será concluído) tanto que dele surgiram diversas reflexões que humildemente compartilho com quem tem mais  possibilidades de intervir qualitativamente nas questões que relato a seguir.

A GESTÃO POR RESULTADOS AINDA NÃO "ENTROU" NA MAIORIA DAS ESCOLAS. Digo a partir das que eu conheço e diga-se de passagem, minha GRE está com o pior resultado do estado. O monitoramento sim, este é sentido desde 2008, com o aumento do controle dos processos, a observação dos rankings e dos resultados alcançados entre outros. 
MAS, existe uma IMENSA debilidade pedagógica na utilização dos dados provenientes do SAEPE.  O monitoramento coíbe algumas práticas inadequadas, mas não tem um desdobramento maior na atividade mais relevante da escola que é o ensino. Atua-se para garantir que o professor entre na sala, mas e daí ? há todo um esforço para que as aulas previstas sejam dadas, mas, o que está sendo dado? As OTMs, as matrizes , o livro didático, o enrolation....como saber? Pelo registro da aula? No que é mais importante para a escola ainda estamos engatinhando.

A própria estrutura montada de educadores de apoio está falida (se é que já não nasceu assim, como uma economia que tem saído caro). Se a gestão por resultados é uma novidade até para muitos pedagogos, como confiar, por exemplo, o DESDOBRAMENTO PEDAGÓGICO DOS DADOS DO SAEPE (atividade bastante complexa) a professores que exercem a função e que não tem formação aprofundada para tanto. Simplesmente ele não tem obrigação de saber.


Até porque, o modelo de seleção interna com restrição de áreas e sem gratificação, estimulou muito mais que a função fosse um refúgio da sala de aula e não uma área que exige experiência e competência técnica. Outro dado é a imensa demanda por educadores de apoio nas escolas. É que terminada a seleção interna, não foi feito nada para preencher as lacunas, simplesmente ficou em aberto, como se fosse um trabalho qualquer. A banalização do trabalho pedagógico fica reiterada nessa opção do governo.


 Duvido que as pessoas que inventaram essa gambiarra confiem ir a um ortopedista tendo problemas do coração. Ora, não são todos médicos ?? é isso que nos dizem, com esse modelo. Duvido ainda, que confiem seus filhos a escolas que não investem em um suporte pedagógico de qualidade. E porque esta fórmula avarenta haveria de funcionar nas escolas públicas ???

O feed back das avaliações da rede não estão sendo articuladas nas escolas. Quantos têm pensado e planejado o desdobramento pedagógico daquela parafernália de dados que nos chegam e que nos pedem? O técnico é o profissional com melhores condições para fazer essa transposição, MAS, tem ficado relegado ao preenchimento de planilhas com intermináveis urgências e urgências... e o pedagógico, que é a atividade fim da escola, passa ao largo da nova realidade. Outro fato é que a demanda por mudança na cultura organizacional das escolas encontra pouca aderência nas instituições que, devido à leniência do estado, depois de anos e anos de um mesmo comando já se cristalizou uma ordem particular, inclusive em detrimento da política do estado, das avaliações e resultados.

Creio que se a SE não mudar as equipes gestoras e refundar esse modelo arcaico de gestão e, sobretudo não garantir o suporte pedagógico para a articulação desta política infelizmente não alcançaremos o que de nós se espera e tanto se cobra.

Um fator condicionante da melhoria do desempenho das escolas envolve a noção de tempo pedagógico. É preciso conceber que o processo de formação continuada estagnou, dada uma compreensão medíocre de que tempo pedagógico é só em regência em sala. 


E quando os professores vão, por exemplo, analisar as matrizes, planejar juntos, elaborar atividades com bases nos descritores, planejar intervenções personalizadas com base nas escalas de proficiência se não tiver um tempo, dentro do seu horário para tanto? e a aula atividade? digo que é um tempo improdutivo na maioria dos casos e a cobrança intensiva cria uma rejeição a tudo que for acréscimo de tempo e trabalho o que fica pior, tendo em vista que a maioria tem dois vínculos.

Ou seja, se os professores fizerem só o que legalmente são obrigados NÃO melhoraremos nossos indicadores qualitativos de jeito nenhum. Sabe qual é a pior qualidade de profissional? Não é o que falta, o que não entrega caderneta, não dá aula, pois, esses são facilmente identificáveis e passíveis de punição. O pior para uma escola que demanda esforço coletivo, é o que cumpre estritamente o que lhe é cobrado formalmente, mas não veste a camisa da escola. Este está no direito dele. Ele vai, dá as suas aulas, faz trabalho, teste e prova e pronto. 
E daí, QUAL A LEI QUE OBRIGA OS PROFESSORES A TRABALHAR COM DESCRITORES, matriz de referência, planejar com base nas escalas de proficiência, planejar projetos de intervenção, trabalhar com atividades diversificadas com foco nas competências com déficit maior e etc. Nenhuma. O SALTO DE QUALIDADE QUE PRECISA SER DADO DEMANDARÁ A CONQUISTA DA COOPERAÇÃO DOS PROFISSIONAIS E ISSO PASSA DIRETAMENTE PELO RESPEITO E PELO SUPORTE A SUA FUNÇÃO.


Os formuladores da Gestão por resultados me diriam, tem o bônus para isso. Mas será que o bônus convence a todos. Será que o bônus não estimula muito mais ao imediatismo e a toda sorte de jeitinhos brasileiros do que o compromisso autêntico e competente para enfrentar os problemas estruturais de que padecem as nossas escolas? A história nos sinaliza para isso. É o princípio de Campbell, quanto mais valorizado um indicador, maiores as chances de ser corrompido.


É preciso que as escolas comprem esta causa, e isto não se faz com imposição ou oferecendo uma coisinha em troca como se faz com as crianças. É preciso que a SE e o Governo tenha coragem de dialogar cada vez mais e dar mais suporte a ATIVIDADE FIM das escolas, a começar pelo suporte pedagógico, pelo auxiliar de disciplina que faz muita falta nas escolas e que o processo eleitoral funde o princípio de GESTÃO e não mais a centralização na pessoa do gestor, que muitas vezes atua na escola como um dono.
Trabalhar a perspectiva da equipe dá mais celeridade e sinergia ao trabalho. E não é pedagogismo participacionista, é claro que as orientações pseudopedagógicas do Banco Mundial não vão incorporar essa premissa, mas não falo nessa linha.

Um exemplo de rigoroso monitoramento do trabalho pedagógico, voltado PARA O PEDAGÓGICO e não para o ajuste fiscal, é o caso de Cuba expresso na obra de Martin Carnoy[1] "A vantagem acadêmica de Cuba". Por outro lado, um estudo que tem dado muito o que falar, é o de Diana Ravitch[2]. A historiadora americana que trabalhou na consolidação das políticas de responsabilização na década de 80 e que escreveu o livro  Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano (The Death and Life of the Great American School System: How Testing and Choice Are Undermining Education) no qual relata as imensas distorções criadas pelo sistema de responsabilização, inclusive de casos absurdos de corrupção em estados que são tomados como exemplo, como o de Nova York.


Se a Secretaria de Educação NÃO CONSIDERAR SERIAMENTE OS FATORES QUE CONDICIONAM OS RESULTADOS DE PROFICIÊNCIA OS RESULTADOS ESTAGNARÃO DIANTE DA COMPLEXIDADE QUE ENVOLVE O CRESCIMENTO NA PROFICIÊNCIA MEDIANTE O DESENVOLVIMENTO DE PLANEJAMENTO E INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NOS PONTOS CRÍTICOS. E quem vai identificá-los? quem vai articular o conjunto para enfrentá-los com competência?


Esse profissional não existe na grande maioria das escolas, e o que pode fazer isso está sendo subutilizado, como um mero coletor de dados (de luxo) ou está sobrecarregado com atribuições que são de outras funções. Melhor que tenha um funcionário devidamente habilitado e com autonomia funcional para lidar com este desafio.

A propósito, às 11h do dia 10 quando estávamos na formação sobre os resultados do SAEPE, recebemos um email da UGR determinando que deixássemos a formação dar conta das planilhas. Tudo bem quanto aos prazos que devem ser cumpridos, mas, já estamos na função há um ano e oito meses e não teve sequer uma formação para situar as nossas atribuições dentro do modelo de gestão, os nossos limites e possibilidades funcionais e etc. Daí,  quando tem a primeira atividade em que vislumbro a possibilidade de fazer algo além  coletar dados com a finalidade não declarada e atender as sucessivas urgências de planilhas, somos convocados a recolher a nossa insignificância e voltar para fazer planilhas.


Me sinto como o personagem de Chaplin apertando parafusos na linha de montagem, no filme Tempos Modernos. Enquanto isso reina solta a ignorância quanto a questões elementares desse modelo de gestão, sobretudo quanto às avaliações.  Até hoje não entendo porque o estado fez questão por pedagogos para a função. São quase todos especialistas e com experiência como professores, coordenadores... Para isso? era melhor contratar estagiários, seria mais coerente com as premissas de ajuste fiscal que o governo segue a risca na educação.


 Nos mandaram para as escolas para que mesmo ? para contemplar em silêncio o espetáculo da produção do fracasso escolar em larga escala ou só fazer barulho e aplicar o rigor dos feitores quando se tratarem de falhas dos peões como nós  ? Nos querem como uma reedição dos bedéis? Qual o instrumento de intervenção pedagógica dos técnicos? Pedir que o gestor gentilmente mude o que estiver errado se caso ele entender, que assim, talvez , porventura seja necessário fazer algo ficaremos muito felizes de ser portadores da boa vontade. Isso sinceramente é ridículo.


Outra questão, diz respeito a difusão dos resultados a quem mais interessa , a escola. A imprensa tomou conhecimento antes de todos nós das escolas. Que fosse antes tudo bem, mas não com uma diferença de MESES. O CAED entrega os dados em MARÇO à SE. Qual a utilidade, para fins de intervenção, do repasse e análise dos dados só ser possível EM OUTUBRO ???? ainda mais para uma GRE que tem indicadores péssimos como a nossa. Isso tendo em vista, que mesmo sendo entregues os relatórios , dados e etc, em muitas escolas o repasse não é feito, ou o é, como mera informação, sem intervenção pedagógica articulada. Ou seja, não tem impacto, é um investimento gigantesco que morre na porta de escola. E vai continuar assim até que essa problemática seja tratada com a importância que merece.


E por falar em investimento, quero REPUDIAR um argumento usado para justificar o atraso ou inexistência desse e de outros encontros de formação, que foi A FALTA DE RECURSOS para as diárias e alimentação. ESSE ARGUMENTO NÃO É SÓ INACEITÁVEL QUANTO É IMORAL, ESCABROSAMENTE IMORAL. Primeiro porque é falso, não pode faltar dinheiro para algo tão simples, o que FALTA MESMO É PRIORIDADE.


Como esperam a cooperação dos profissionais que vem para uma formação que já está atrasada em meses, que vão ficar devendo aulas, gastando do próprio bolso e ainda se comprometendo com um acréscimo considerável de trabalho ??? como Pernambuco vai crescer em qualidade tamanha mediocridade em situações tão importantes para a escola, e que tem muito mais resultado do que os inúmeros encontros promovidos em ótimos hotéis e que tem tido pouco ou quase nenhum repasse ou retorno para a escola. Isso não é um uso eficiente dos recursos. Sou técnico e professor da rede e digo com certeza que muitas ações da SE não tem capilaridade nas escolas tanto por falta de competência técnica para executá-las de forma articulada quanto de vontade política de implementar as mudanças em detrimento das conveniências.


Bom, essa é uma reflexão sincera e respeitosa de quem está com a mão na massa e comprometido tão quanto o Sr. para a melhoria de nossa educação. isso é só uma amostra grátis da angústia e da sensação de abandono que por vezes sentimos na principal instância da cadeia de implementação que é a ESCOLA. Digo tudo isto, no sentido de compartilhar a angústia e o desejo de ver a superação do quadro lastimável em que ainda se encontram as nossas escolas.
Certo de vossa atenção

Ítalo Agra de Oliveira Silva
Professor (264.236-0) e Técnico educacional (303.239-6)
Lotado em Ribeirão-PE – GRE-Mata Sul
 Pedagogo, Mestrando Educação - PPGE-UFPB


P.S -  uma questão objetiva :
- Porque os dados do IDEPE e SAEPE de 2010 foram retirados do site da SE e do portal do CAED-UFJF ? Sei que os dados chegaram para a SE em março e que foram postados na internet, que eu pessoalmente acessei. Digo isto, porque estou precisando para os trabalhos como técnico e para a pesquisa documental de minha dissertação.



[2] http://www.dianeravitch.com/  “Diane Ravitch – ex-secretária assistente de educação e líder do movimento para a criação de um currículo nacional – examina a sua carreira na reforma educacional e repudia posições que ela anteriormente defendeu firmemente. Baseando-se em quarenta anos de pesquisa e experiência, Ravitch critica as ideias mais populares de hoje para reestruturar as escolas, incluindo a privatização, testagem padronizada, responsabilização punitiva e a multiplicação irresponsável de escolas autônomas. Ela demonstra conclusivamente por que o modelo empresarial não é uma forma apropriada de melhorar as escolas. Usando exemplos de grandes cidades como New York, Philadelphia, Chicago, Denver e San Diego, Ravitch evidencia que a educação de hoje está em perigo.”